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11/06/2016

Quando 143 páginas é pouco para um mês inteiro (A garota do calendário – Janeiro)


143 páginas, lidas em um só dia de um jeito quase desesperado. Sim, essa foi a minha experiência com “A garota do calendário – Janeiro”, escrito por Audrey Carlan. O que não me surpreendeu, já que o livro é pequeno, a escrita é fácil e o gênero é um dos que eu acho mais fáceis de ler.

Mas tem cenas picantes, Bianca? Tem. Muitas.

Pergunta que não queria calar respondida, vamos ao que interessa.

É um bom livro. É bem escrito, a ideia é boa (Mentira. Achei a ideia da série genial!), os personagens são o tipo de pessoa que o leitor queria ser, tem sexo, tem drama, tem romance... Tem tudo o que um best seller precisa ter para ser um best seller.

Mas...

Sim, também tem um “mas”.

Cento e quarenta e três páginas é pouco para contar o que acontece em um mês inteiro. É menos ainda se formos pensar que tem toda aquela introdução de motivos pelos quais Mia (a protagonista) resolve virar uma acompanhante de luxo e etc. É menos ainda quando se pensa em como foi rápida a transição de Mia-com-medo pra Mia-trepando-que-nem-coelho quando ela nem era obrigada a fazer isso. Ok, quem já leu o livro sabe que teve a história do “se jogar e aproveitar”, mas... Não convenceu. Não se muda a personalidade e nem os sentimentos de uma pessoa em um só dia, literalmente.

Outra coisa que me incomodou no livro foram as peças que não se encaixaram. Só para conseguir ilustrar, vou fazer um breve panorama do início da história:

Nossa protagonista, Mia, está precisando desesperadamente de dinheiro para salvar a sua própria vida, a do seu pai e a da irmã mais nova. Millie, tia da protagonista, oferece a ela um emprego de acompanhante de luxo em sua agência. E a partir daí tudo acontece.

Percebam: Mia precisa de dinheiro, está desempregada e com a corda no pescoço. Mas tem uma moto cara, iphone e apetrechos que, geralmente, pessoas em graves situações financeiras não teriam. Ok, o Iphone pode ser de segunda mão e a moto também (mesmo não sendo mencionado na história). Mas... né. Também não me desceu.

Mais uma reclamação (eu queria dizer que é a última, mas não é) é sobre o lugar em que ela está. Nas primeiras páginas eu não consegui definir bem onde acontece a história, achei que o paralelo que a autora fez de Las Vegas e Los Angeles ficou meio confuso para mim. Mas só no início mesmo e pode ser culpa do meu cérebro também.

O final é previsível. Até demais. Mas eu gostei.  Ao mesmo tempo em que abre um leque de infinitas possibilidades, ele deixa o leitor com expectativas para o fim da série. Sim, da série, não só para o próximo livro.

Outra coisa: eu espero do fundo do meu coração que os personagens sejam mais desenvolvidos (senti falta de uma certa profundidade em Mia e em Wes) e que os conflitos se tornem realmente conflitos e não sejam só um lembrete na cabeça de Mia. Páginas para isso é o que não faltam, com todos os próximos livros da série. Estou muito ansiosa por isso. A história como um todo tem várias vertentes que, se bem aproveitadas, pode ficar sensacional.

Recomenda, Bianca? Recomendo. É um bom livro de um dia só, uma daquelas histórias rápidas que a gente absorve de uma vez, sem precisar pensar demais.

E se eu acrescentar mais alguma coisa aqui posso ser acusada de spoiler, então...

Adiós!

Ps. Lembrando que o lançamento oficial de “A garota do calendário” é no dia 20 de junho.
Ps². Dia 20 é meu aniversário! Aceito presentes. ;)

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Título: A garota do calendário - Janeiro (A garota do calendário #1)
Autor: Audrey Carlan
ISBN-13: 9788576865063 / ISBN-10: 8576865068
Ano: 2016 / Páginas: 144 
Idioma: português / Editora: Verus 
Gênero: Erótico / Literatura Estrangeira / Romance 
Sinopse: Ela precisava de dinheiro. E nem sabia que gostava tanto de sexo. O fenômeno editorial do ano e best-seller do New York Times, USA Today e Wall Street JournalMia Saunders precisa de dinheiro. Muito dinheiro. Ela tem um ano para pagar o agiota que está ameaçando a vida de seu pai por causa de uma dívida de jogo. Um milhão de dólares, para ser mais exato.A missão de Mia é simples: trabalhar como acompanhante de luxo na empresa de sua tia e pagar mensalmente a dívida. Um mês em uma nova cidade com um homem rico, com quem ela não precisa transar se não quiser? Dinheiro fácil. Parte do plano é manter o seu coração selado e os olhos na recompensa. Ao menos era assim que deveria ser... Em janeiro, Mia vai conhecer Wes, um roteirista de Malibu que vai deixá-la em êxtase. Com seus olhos verdes e físico de surfista, Wes promete a ela noites de sexo inesquecível — desde que ela não se apaixone por ele.


23/07/2015

Em casa com Nabokov (Leslie Daniels)


Barbara Barret é uma mãe de 39 anos que, por causa de uma máquina de lavar louças, perde a guarda dos filhos. “Liberdade” é o que ela disse que queria ao sair de casa com as duas crianças. “Mais um pouco do livro” é o que eu quero. E, talvez, sempre vá querer.
Depois do divórcio, Barb encontra um suposto manuscrito de Nabokov, antigo dono da casa onde ela mora, e sua vida começa a fluir como não fluía há muito tempo. Não pelo manuscrito, mas pelos lugares onde ele a levou.

O início do livro é de cortar o coração. Leslie Daniels teve o dom de colocar a tristeza da personagem principal em cada linha. É uma melancolia tão forte que chega a ser nossa, a fazer parte do nosso eu mais profundo. Tudo fica ainda mais triste (como se fosse possível) quando traços da personalidade das duas crianças são descritas do ponto de vista de Barb. Ela não sabe, mas, para os leitores, as atitudes dos filhos são um claro grito de saudade de cada mínimo pedaço da mulher que vai se despedir deles no início da semana.

Gradativamente, o livro muda de tom, tão sutilmente que nós só percebemos essa mudança quando chegamos ao fim. Um toque leve de humor se mistura ao drama inicial e vai se alojando em cada frase ali escrita.

“Em casa com Nabokov” é um dos livros mais delicados que eu já li. A narrativa é melancólica na maior parte do livro, mas não é chata e nem se torna monótona. A passagem do tempo fica evidente sem precisar de muitos detalhes e a alma da narradora nos é entregue em cada página.

Sobre os demais personagens, eu me apaixonei pela compreensão de Greg e por Darcy e sua coleção de mais de cem bolsas. Margie é uma amiga incrível e Matilda é uma amor de cadela. Pena que Barb não percebe isso imediatamente. Apesar de ser focado na própria narradora, o livro explora muito bem os outros personagens, principalmente os filhos e a mente meio desgovernada de uma mãe que perdeu seu bem mais precioso. O que é condizente com a profissão de escritora da personagem principal.


Dizer que eu recomendo a leitura é pouco. Poucos livros foram os que me fizeram ter vontade de chorar logo nas primeiras cinquenta páginas e que me fizeram sorrir por horas e horas depois de ter lido tudo. Menos livros ainda me marcaram para a vida toda. “Em casa com Nabokov” é um deles.

09/07/2015

Resenha rápida - A outra face (Siney Sheldon)


A outra face é o primeiro livro do mestre supremo Sidney Sheldon e, para o primeiro, nada mal.

Nada mal? Calma, eu disse isso mesmo?

O primeiro livro do Sidney Sheldon é melhor que muitas “obras primas” que já li por aí. É claro que tudo isso é só questão de ponto de vista, e ponto de vista não é algo discutível.

Judd é um psiquiatra renomado e conhecido em todo o país. Tudo começa quando um de seus pacientes é assassinado e, logo depois, sua recepcionista. Com a certeza de que o verdadeiro alvo era ele próprio, Judd entre em um estado de semi paranoia na busca pelo verdadeiro culpado.

Mas um dos detetives responsáveis pelo caso acha que toda a paranoia do médico é para encobrir o assassino: ele mesmo.

E aí a narrativa fica meio... Louca. É um thriller psicológico que envolve o leitor. Admito: não é o melhor livro do Sidney Sheldon, mas aquelas poucas páginas são alucinantes. Ao contrário de “Juízo final”, na minha opinião, não foi um fiasco.

Você se perde por entre as páginas, junto com o protagonista. Você fica sem entender nada ao mesmo tempo em que pode desconfiar do que pode ser o certo. E, logo depois, a resolução do mistério fica óbvia demais para ser alcançada.


O leitor simplesmente é puxado para dentro da alma dos personagens e enlouquece junto com eles. Exatamente o que é esperado de um thriller psicológico.

25/06/2015

À beira do apocalipse - Resenha


Tendo como pano de fundo uma crise mundial para mostrar que é preciso confiar e acreditar em Deus, Tim Lahaye e Craig Parshall conseguiram chamar nossa atenção para os problemas que a mídia pode causar e, mais ainda, para o incrível enredo que criaram.

Joshua Jordan é um fabricante de armas que acaba se encrencando com o governo quando salva a cidade de Nova York de um ataque por míssil norte coreano. E ai começa o drama entre governo norte americano, terrorista maníaco em solo nacional, milhares de pessoas interessadas no dinheiro que uma nova tecnologia pode fornecer, uma vice presidente gananciosa e um grupo de patriotas que só querem o melhor para o país.

Basicamente, é isso o que acontece em setenta e cinco por cento do livro. No meio da crise que tem nosso protagonista como centro, Abby, sua esposa, o apresenta a um pastor que acaba ganhando a confiança do veterano. Mesmo com as ideias sobre Jesus e a salvação, coisas que Jordan não gosta muito, o religioso conseguiu captar a atenção do homem.

Mas não. Não é um livro sobre religião. E nem é um livro como “A cabana” – que também não é sobre religião. É um suspense, é uma ficção. Que explora diversos aspectos íntimos de alguns personagens. E eu acho que foi justamente esse o erro que os autores cometeram. Ao mesmo tempo em que tem informação demais, tem pouca coisa importante sendo explorada. Poderia ser um puta suspense com drama psicológico e ficção científica no meio, mas se transformou num suspense que tenta convencer o leitor a fazer alguma coisa que não fica muito clara no meio daquele fuzuê todo.

Sinto que eu entendi a mensagem. Em compensação, sinto que a mensagem não foi passada convincentemente. Senti falta de ver mais de Tulrude e Galagher, senti falta dos jogos de poderes que seriam previsíveis numa situação como a retratada no livro. Senti falta até mesmo do campo espiritual envolvido e de entender – ou não – Zimler mais profundamente. Senti falta de algo que deixaria o livro na minha lista de “fantásticos”.

A narrativa é chata em alguns momentos e tem repetição de expressões excessivas. Elas me incomodaram em partes isoladas, mas me incomodaram.

Em compensação, as últimas páginas são eletrizantes. E o final é aquele tipo de final aberto que tudo o que nos faz querer é uma continuação. Mas é só o final. E não adianta muita coisa quando só o final é brilhante.

11/06/2015

19/05/2015

06/05/2015

Resenha rápida - Morte súbita (J. K. Rowling)


A realidade é chata. Talvez seja por isso que eu não gostei tanto de “Morte súbita”. Não que eu prefira fantasia, mas... O livro deixa a desejar.

A narrativa é cansativa e o tamanho do livro assusta. Não são muitas páginas quando se gosta, mas, quando o leitor dorme no meio de um capítulo, parece eterno.

Não que a história em si e a lição por trás dela sejam ruins, longe disso. Os personagens são intensos como qualquer ser humano e a busca por alguma vantagem por trás de todas as ações fica clara em todas as páginas do livro. O livro grita o tempo inteiro que, no fim, tudo se resume a um jogo de interesses.

Depois da morte de Barry Fairbother, Pagford explode. E leva todos os seus habitantes juntos. Alguns se preocupam com a cadeira vaga no conselho distrital, outros em conquistar a admiração das pessoas e outros, ainda, estão focados em sobreviver.
Não tem um vilão definido e o único ser inocente na trama é Robbie, de três anos e alguns traumas sofridos em sua curta vida.

Parece crueldade, e realmente é, mas Rowling escreveu o fim previsível e que tinha 90% de chance de efetivamente acontecer. A surpresa não mora do “previsível”, mas sim no “de tão previsível, ficou imprevisível”. Quando acabei o livro, ainda passei alguns dias pensando em Robbie e Krystal. Em Terri e nas pessoas que passaram por eles no decorrer da história. Talvez, apenas a avó Cath e o velho Barry tenham feito algum bem àquela família. Não que tenha feito alguma diferença no final...

Excluindo os óbvios, Kay foi a única pessoa que se sensibilizou e, mesmo assim, não conseguiu fazer alguma diferença na vida dos Weedon. Talvez, a cena final possa ter ficado na mente dos moradores de Pagford para sempre, jogando os resultados do próprio egoísmo na cara dos habitantes de Pagford. Talvez eles mudem o jeito de enxergar as coisas. Eu não acredito nisso.

04/05/2015

Divergente, Insurgente e Convergente (Veronica Roth)


Divergente, Isurgente e Convergente formam uma trilogia que se enquadra numa categoria de ficção científica pós apocalíptica que nunca me foi muito atraente, mas que, mesmo assim, conseguiu me conquistar. A narrativa é ágil e não muito complicada, típico desse tipo de livro que se torna Bestseller mundial. A leitura é fácil e, mesmo nos momentos onde a DR de Tris e Tobias impera em “Insurgente”, a autora não perde o ritmo.

Confesso que não consegui diluir o final de “Convergente” muito bem ainda. A autora foge de todos os padrões possíveis, logo, mantém a personagem fiel aos seus princípios desde o início até além do fim.

Beatrice Prior é uma divergente, daí o título do livro e da série, uma pessoa que não se encaixa em um comportamento específico da sua facção. Na verdade, ela se encaixa em três delas e, ao longo da saga meio que suicida de Tris, percebemos que pouquíssimas são as pessoas que têm um tipo de comportamento só.

A careta que escolhe a audácia vai ganhando força ao longo do livro, até explodir numa rebelde líder de um grupo de pessoas que não concordam com as ideias impostar pelos governantes. Típico também.

Além de crescer ao longo da narrativa, a senhorita Prior encontra milhares de pessoas em seu caminho, perde entes queridos, mata muitas almas e se torna amiga de poucas. E namorada de um: Tobias.

A visão dupla em “Convergente” não me fez gostar mais do garoto conhecido como “Quatro” dentro da audácia. Desde o início, me pareceu o exato oposto de Tris: enquanto ela se mantém firme num só ideal, Quatro desbrava por caminhos obscuros e inconsistentes que fazem a relação dele com as outras pessoas ficar abalada. Além de não ouvir os conselhos alheios, Quatro é o convencido que gosta de mandar em todo mundo, assim como o pai. Paciência.

É verdade também que ele tem seus momentos de brilhantismo, como é previsível num coadjuvante-meio-principal-mocinho-da-coisa-toda, mas as outras cenas da narrativa ofuscam seu brilho.

Personagens como Caleb, irmão de Tris, Peter, Evelyn e Cara ganham o ar de “humanos”. Nem mocinhos, nem vilões, eles, como todas as pessoas, pairam no limbo entre o bem e o mal.

Veronica Roth conseguiu escrever uma trilogia “fantasiosa” ao mesmo tempo em que manteve a verdadeira face “humana” dos personagens. Um feito relativamente fácil, mas que quase ninguém escolhe arriscar.

02/07/2014

Eldest - Resenha



Terminado o segundo livro d’A Herança. E a impressão que fica é melhor do que a do primeiro da série. Nesse, Paolini narrou o crescimento e transformação do cavaleiro de dragão, de Roran e, também, de outros personagens secundários.

A questão é que o segundo livro me empolgou. Na verdade, o final foi o que mais me incitou a ler “Brisingr”, mas, no geral, “Eldest” é uma boa leitura.

A narração melhorou. Talvez pela mudança de tradutor, talvez por uma evolução do próprio autor. Ficou mais dinâmica e menos cansativa. Ainda acho que algumas partes poderiam ser mais elaboradas, mas talvez isso seja apenas fruto da minha relutância em ler fantasia.

Outra coisa que me deixou mais entretida foi o foco em Roran. Intercalar as narrações das aventuras dos dois primos foi um belo jeito de deixar a história menos maçante. É grande sim e, muitas vezes, cansativo, só que essa mudança de foco fez tudo ficar mais suportável. Até porque, se fossem mais de seiscentas páginas só com Eragon em Elesméra, eu demoraria meses para terminar o livro.

Enquanto lia, não consegui tirar uma comparação da cabeça. O tempo inteiro, tentei perceber as diferenças na narração de Paolini e Pullman. Talvez por Pullman ser um dos poucos autores de fantasia que eu li, talvez por ser semelhante mesmo. E, me parece, que são mesmo muito parecidos. O ritmo frenético em algumas partes, a lentidão em outras e etc... A diferença que eu notei foi na maturidade da escrita. Enquanto Paolini é mais “infantil”, Pullman dá um ar de maturidade numa narração, mesmo sendo infanto-juvenil.

Nesse segundo livro, a relação entre Eragon e Saphira se intensifica. O amor de Eragon por Arya fica mais explícito e os desafios que o cavaleiro tem que enfrentar não são mais só no campo físico. Seus poderes se ampliam, sua percepção também e a sua sabedoria, muito mais. A diferença entre o Eragon de “Eragon” e o Eragon de “Eldest” são gritantes. Ele cresceu. Não é mais o garoto que virou cavaleiro do dia para a noite. Agora, Eragon é um homem. E cavaleiro. Um lutador excepcional. Ele, finalmente, ganhou a “cara” de herói.

18/06/2014

Eragon - Chistopher Paolini



Eragon, o garoto de 16 anos que encontra um ovo de dragão por acaso. Saphira, o dragão azul mais divertido e irônico do mundo. Brom, o professor mais amado e Arya, a elfa misteriosa que encanta o jovem Eragon.

Isso foi um breve resumo dos personagens que chamam mais atenção por causa da narrativa. Narrativa que, por vezes, foi rápida e emocionante. Em algumas partes do livro eu tive sim aquela ânsia de não parar mais. Entretanto, muitas vezes eu achei a narração do Paolini um saco. Não pela história ou algo do tipo, mas pela falta de emoção. Eu sempre digo que os livros carregam uma dose extra de emoção em relação aos filmes. "Eragon" é excessão.

Paolini também gosta de citações filosóficas. Eu também gosto, e muito. Vários trechos me chamaram atenção pela carga de pensamentos que me trouxeram à mente. São trechos que vão além da história e além daquelas meras palavras. Eu gosto disso.

Eu também não poderia deixar de fora a dose de humor (?) ou algo do tipo que existe em Saphira. Enquanto o Eragon é muito centrado, "certo" e pensativo, Saphira é o oposto. Não que seja menos inteligente ou dedicada, mas o dragão é... Fascinante. Comentários irônicos, sarcásticos, demonstrações de afeto inusitadas... Eu quero uma Saphira. Apenas.

Outro personagem que me encantou foi o Brom. Eu gostei dele. Mesmo o Christopher desmerecendo os atos do velho, eu gostei.

Tem também o velho clichê de garoto orfão que perde a família e quer se vingar. Não que eu deteste esse tipo de coisa, nas verdade essa parte do livro eu gostei. Só que é clichê. Clichês não impressionam.

A minha opinião final pode ser dividida em duas. Uma parte para o enredo (que é ótimo) e uma para a escrita ( que é bem mais ou menos).

Agora é terminar de ler "Eldest" pra ver se mantenho minha opinião.
B i a n c a  P o n t e s
Junho de 2014.

10/06/2014

Nada dura para sempre - Sidney Sheldon




A história gira em torno de três médicas residentes do hospital embarcadero, em São Francisco: Paige, Kat e Honey. Cada uma com seus segredos, angústias, problemas. Sheldon sabia como criar um personagem e essas três são mesmo "das boas".

Ao contrário do que houve com "Se houver amanhã", em "Nada dura para sempre", Sidney Sheldon não introduziu novos personagens de maneira completa, por assim dizer. Não houve nenhum tipo longo de explicação sobre o passado de algum outro personagem além das três protagonistas. Em compensação, também não houve nenhum tipo de ausência de informações. Não senti falta de alguma parte da história ou algo do tipo e o autor se ateve apenas aos fatos relevantes, o que foi uma ótima escolha. E os personagens que vão surgindo ao longo do tempo são desenvolvidos de acordo com o que é estritamente necessário para a história.

Desde o início do livro, a narração objetiva e clara se fez presente. Sheldon vai da primeira à última página no mesmo rítmo rápido, daquele jeito que te faz ler duzentas páginas em pouco tempo e, quando você pisca, percebe que são três horas da manhã e não existe a possibilidade de parar de ler.

Não é uma história com muitas reviravoltas - como é o caso de outras do autor -, mas não deixa de ser surpreendente. Na verdade, apenas um fato é levado em conta: o assassinato de um paciente. E, com base no julgamento, o texto é escrito de forma que as coisas façam sentido.

O que me impressionou foi a quantidade de informações e pesquisas envolvidas. Por se tratar de uma narração que acontece num hospital, era de se imaginar que termos técnicos fossem usados, mas o nível de conhecimento que foi empregado me espantou. De uma forma positiva, claro. Percebe-se um grande nível de envolvimento com as pesquisas para o livro, mas já era de se imaginar algo assim. Quando se fala em Sidney Sheldon, a segunda coisa que me vêm à mente é: pesquisa. A primeira é "genialidade".

Minha única reclamação é quanto a alguns erros de revisão e impressão que, realmente, deixaram muito a desejar nessa edição "vira-vira".

E, para finalizar, foi o primeiro livro dele que não me deixou com a sensação de que o final foi aberto. Adoro os finais abertos, mas esse, como ficou, também foi ótimo.

06/06/2014

A dama misteriosa - Amanda Quick



Ao ler "A dama misteriosa" fiquei com a impressão de que o livro é um daqueles que caem no imenso abismo do "meio termo". Nem bom, nem ruim. Desse modo, não tenho muito o que comentar sobre a história de Emily Faringdon e S. A. Traherne. Mas algumas coisas valem à pena serem mencionadas.

Emily é uma daquelas milhares de personagens que se acham feias, são inseguras, se apaixonam pelo "homem errado" e idealiza o amor verdadeiro sem nenhum tipo de problema. O estereótipo de adolescente boba. Só que com 24 anos. O que, por si só, seria absurdo.

Talvez essa minha visão negativa seja pelo fato de que o livro é histórico e quase nenhum conceito que eu tenha de mundo seja adequado à época em que ele se passa.

Nem preciso dizer que usar o incrível clichê da insegurança feminina me irrita.

Mas um aspecto que eu achei genial da parte da Jayne/Amanda foi como ela apresentou o personagem principal: Simon.

No início do livro eu fiquei com a estranha sensação de que ele era um cafajeste da pior espécie e que ganharia Emily de qualquer jeito. É assim que são os romances água com açúcar. O mocinho fica com a mocinha e eles vivem felizes.

Mas o Simon não poderia ficar com ela.

E aí está a genialidade de Amanda Quick: Ela fez com que eu odiasse Simon Traherne e odiasse Emily Faringdon por ser a idiota que corre atrás dele feito um cachorrinho carente.

Mas, aos poucos, a imagem de cão cruel foi desaparecendo. Gradativamente, Simon vai se tornando apenas um dos mocinhos que não admitem que têm um coração em seu peito.

Uma das poucas autoras que conseguiram fazer com que os protagonistas fossem odiados. Talvez seja por isso que eu insista em não odiar o livro.


B i a n c a  P o n t e s

04/06/2014

Se houver amanhã - Sidney Sheldon



O que parece ser um livro que fala sobre vingança no melhor estilo "O conde de Monte-Cristo"¹ assume proporções e reviravoltas fantásticas ao embarcar por marés fascinantemente inimagináveis. Tracy Whitney é uma jovem comum e apaixonada até que se vê vítima de pessoas perversas e gananciosas. Sidney Sheldon narra as metamorfoses de uma das suas personagens mais apaixonates e corajosas.

Desde a morte da mãe - no ínício do livro - até o final espetacular - que eu não vou contar - passando por injustiça, sofrimento, prisão, reconstrução, amadurecimento e o temível destino. O enredo conta a evolução da protagonista tanto pessoal como profissionalmente. Apesar de sofrer na mão de pessoas mais "maldosas" que ela, Tracy também conhece pessoas como Ernie. 

Ernie é como uma protetora durante o tempo em que estão na prisão e também durante um tempo depois que ambas saem. Senti falta dela do meio para o final do livro. É como se Tracy tivesse começado uma vida nova - o que não é uma mentira - e tivesse esquecido das pessoas que a ajudaram no passado.

Princípios são contestados e postos à prova, barreiras são quebradas e Tracy - audaciosamente inteligente - se vê vítima do acaso. Um acaso que lhe fez muito bem, por sinal. Num desses tantos "acasos", ela conhece Gunther.

Gunther Hartog  é quem insere Tracy  numa teia de riqueza que a leva ao que realmente lhe fascina e encanta. É ele o personagem que mostra à protagonista que ela tem muito com o que trabalhar sem precisar ser tão óbvia ao ponto de ser pega.

Dentro do enredo principal, Sheldon desenvolve histórias paralelas de maneira rápida e fascinante. A narração enérgica e objetiva sempre foi uma das características que sempre me encantaram no autor. E não é diferente quando ele abre um parênteses necessário e apresenta personagens como Jeff e Daniel.

Jeff Stevens é tão audacioso quanto a própria protagonista e conhece-a numa das primeiras aventura da então "amadora" Tracy. É claro que, devido às circunstâncias, ambos se odeiam e se admiram mutuamente. Não há confiança nos encontros seguintes pelo simples motivo de que são iguais. E tanto Tracy quanto Jeff não confiariam neles próprios. Ao menos não logo de cara.

Embora a forma como desenvolveram suas habilidades tenha sido completamente diferente, Tracy e Jeff têm muito em comum. Tanto pelo modo como pensam quanto pelo modo de vida que levam. Logo de cara, Jeff percebe que há nela um talento nato e usa isso ao seu favor. Enquanto Hartog insere a protagonista no meio mais lucrativo, Jeff a ensina que usar a inteligência pode ser ao mesmo tempo prazeroso e economicamente favorável.

Daniel Cooper, por sua vez, é um detetive que tem tudo para ter tudo e não se sente atraído por nada. Até Tracy. Ela se transforma numa obsessão sacro-erótica. O passado dele leva à atitudes futuras e revela um trauma não superado por trás de toda a genialidade arrogante do detetive particular.

Influência de Doyle² e, talvez, Christie³ são inegáveis nesse personagem. 

"Se houver amanhã" é uma trama envolvente que faz querer ter tudo de uma vez só. Tem personagens inteligentes, planos geniais e, ao mesmo tempo, a tão inegável obra do destino que sempre existe no mundo real. "Ninguém consegue prever tudo" é a mensagem que fica no episódio do avião cargueiro.

E, por último, a cena final. Tracy será tão apaixonada pelo que faz ao ponto de ter mais algumas últimas aventuras ou Jeff, afinal, é mais importante que todo o resto? "Convivam com a dúvida, leitores" é o que o autor diz e, convenhamos, não seria o Sidney Sheldon se tivéssemos todas as respostas.

--
¹"O conde de Monte-Cristo" é um livro hiper-mega-super fodástico do Alexandre Dumas.
²Sir Arthur Conan Doyle, criador do famoso Sherlock Holmes.
³Agatha Christie, "rainha do crime" criadora de Hercule Poirot, Miss Marple entre outros.

02/06/2014

House of Night - visão geral



Eu já li nove livros da série (acredito) e... E nunca se absorve tudo com uma só leitura. Leitores compulsivos como eu sabem bem disso. E eu também já tinha os quatro primeiro livros na minha estante, frutos de um distúrbio adolescente e sem sentido. Acontece que eu meio que tomei trauma de tudo que é relacionado a vampiro (Exceto Bram Stoker). 

Só que a minha mãe, ignorando esse fato, me deu mais três livros da série. E, por pior que seja, eu nunca recuso um livro. E nem deixo de ler algo que ocupe minha estante de 135 títulos - Eu me orgulho deles. Então eu li - de novo - as obras das Cast. 

Conclusão final: Não é tão ruim.
 


Eu juro por Deus que não achei tão ruim. Também... Depois de E. L. James, Alma Katsu e Mary Westmacot nada vai me impressionar tão facilmente. 

Me recuso a chamar Mary de Agatha Christie. Ela escreveu como Westmacot quando estava bêbada. Só pode. 

Zoey (a protagonista) não é uma adolescente com problema de auto estima. Insanidade e idiotice extrema, talvez, mas, em momento algum, as autoras colocam Zoey como se achando a pior garota do mundo só porque se acha feia ou tem a pele clara demais. 

Qual o diabo do problema em ser pálida demais? Me sinto ofendida com isso. 

Ela é sim uma anta disfarçada de novata/vampira/prodígio vampiresco ou sei lá o quê, mas tem os motivos para se sentir pior que a lava do mosquito do coco do cavalo do bandido e nem por isso sai chorando pelos quatro cantos cantando "ninguém me ama, ninguém me quer...". 


Não vou me aprofundar demais na protagonista porque eu já fiz isso em outro post, então, se quiserem saber mais do que eu acho da Zoey, Cliquem aqui.


A história é... Legalzinha. É um clichê disfarçado e eu realmente não entendi o lance das tatuagens, mas... Poderia ser pior. Poderia ser 50 tons de cinza. 

Ainda tem o negócio do Bram Stoker ser carimbado e ter se revoltado e aí fez a caveira dos vampiros no livro. 

WTF?! Eu gosto mais dos vampiros do Stoker, P. C., licença. 

E um monte de detalhes invisíveis (e mal explicados) para leigos, mas que me fazem abaixar a nota final que eu daria aos livros. 

Só que o maior erro que eu acho que as autoras cometeram foi querer fazer o público gostar de qualquer jeito. Me desculpem se não for isso, mas colocar rainha de não sei o quê, cavaleiros escoceses, vacas do bem e do mal, pássaros-gente e não sei mais o quê parece uma tentativa desesperada de alongar a história e ganhar mais público. Sem falar que tem informação demais misturada. Não que não dê para entender, mas misturar isso tudo num mesmo enredo fica... Sei lá como fica, mas não é bom. 

Se eu recomendo? Sei lá. Leiam. Talvez vocês gostem, talvez adorem, talvez odeiam. Eu fico no meio termo. E detesto livros que me deixam no meio do caminho.
B i a n c a   P o n t e s

31/05/2014

Justiça - pensando alto sobre violência, crime e castigo



"Justiça - pensando alto sobre violência, crime e castigo". É esse o título do livro que meu professor de criminologia me obrigou a ler para uma atividade (atividade?!) que vale quinze preciosos pontos. Dizer que o livro não serviu para absolutamente nada e que eu não gostei dele seria uma das maiores hipocrisias que eu - defensora de que qualquer tipo de leitura acrescenta algo - poderia cometer. 

O livro serviu sim para alguma coisa. O bendito livro que tanto me fez raiva (lê-lo enquanto faz milhares de trabalhos e estuda para várias provas é torturante) acrescentou diversas linhas de raciocínio sobre o que é a violência e vários outros assuntos que, por mais que pareça assunto dos juristas, é de toda a sociedade. É verdade que eu já havia pensado e discutido a maior parte de todas as hipóteses que o autor apresenta, mas ele expandiu os horizontes. Com mais exemplos, mais dados, só confirmou uma convicção que eu já tinha: Tudo é relativo. E que, em minha opinião, qualquer estudante de direito com o mínimo de massa encefálica, deveria saber. 

Mas a questão não é essa. O que me incomodou no autor - Luiz Eduardo Soares - foi a falta de respostas. É verdade que ele diz que tudo é relativo, que é preciso analisar todo o contexto social, econômico, familiar, psicológico, educacional e tudo o mais que você imaginar, para dizer que um indivíduo pode ser levado a praticar um crime. 

Defensor fiel dos direitos humanos - o que me irrita um pouco - Luiz Eduardo disserta sobre os motivos que um pobre, que sofre preconceito por ser negro, marginalizado, injustiçado e tudo o mais que pode acontecer de ruim a um homem, tem para cometer um crime. Até aí tudo bem. Concordo que diversos fatores podem influenciar em seus atos, mas o que não me entra na cabeça é como esses mesmos fatores podem justificar TODOS os crimes de TODAS as pessoas consideradas criminosas. 

Pensar em alguém pobre, discriminado, com pouca ou quase nenhuma oportunidade é uma coisa. Mas, agora, pensar em alguém rico, com boa educação, bem visto pela sociedade e que usufrui de tudo o que é bom no mundo é outra completamente diferente. O que justifica os crimes cometidos por alguém assim? Nenhuma das pessoas à quem eu fiz essa pergunta me deu uma resposta satisfatória. A maior parte delas foi: Problema mental. O que me leva à acreditar que o ser humano é mesmo podre por natureza. 

Não que eu condene os defensores dos direitos humanos – longe disso -, mas é que não acho justo defender todos da mesma forma solidária quando são todos completamente diferentes entre si. Se não dá para defender todo mundo, não defenda ninguém? Talvez. Mas cada casa é um caso, não é mesmo? Generalizar algo tão subjetivo – o que deveria acontecer – está mais longe do que a utopia da paz mundial.


B i a n c a  P o n t e s

28/05/2014

A carga - Mary Westmacott



É. Eu sei. Agatha Christie. A deusa criadora de Hercule Poirot. Uma das autoras mais brilhantes do mundo. E uma das que mais me decepcionaram em termos de pseudônimo. A mulher é um gênio quando se trata de suspense e romance policial, mas... Para romance cru e drama ou sei lá o quê... Não deu. 

Mary Westmacott é um pseudônimo da conceituada autora. Um pseudônimo que, na minha opinião, deixou muito a desejar em todos os dois livros que eu me atrevi a ler. 

O primeiro livro foi "A ausência" e, mais tarde, acabou se transfomando num dos dois livros que eu abandonei. (O outro foi "50 tons de cinza") 

O problema foi que nas cinquenta e poucas páginas que eu li não havia nada. A protagonista apenas relembra fatos sobre sua vida e faz uma espécie de autoanálise ofuscada pelo seu orgulho. Chato e entediante.

Em "A carga" acontece algo diferente. Mas é tão tedioso quanto. Ou mais.

O problema é que a Agatha insiste em explicar a vida de cada personagem nos mínimos detalhes. Não que isso seja uma coisa ruim, mas, do jeito que ela explica, se transforma numa coisa muito ruim. 

A primeira parte é sobre Laura, a personagem principal. Agatha narra a história da menina desprezada pelos pais por causa da morte do irmão, Charles; o ódio que ela sentiu pela irmã mais nova ao ponto de querer matá-la e depois o amor incondicional por Shirley. 

A segunda é sobre Shirley. O casamento com Henry, a paixão por Richard e então a invalidez do marido. 

A terceira parte, e meio sem nexo, é sobre a vida de um homem que conhece Richard, então casado com Shirley, e chega a conhecer Laura, que se culpa pela morte da irmã. 

E o romance, prometido na sinopse, acontece por volta da página cento e sessenta, já no final do livro. Além de ser ridiculamente previsível.

Na quarta parte que narra o encontro de Laura com o "amor da sua vida" que, por causa de uma visão no meio do deserto, também a ama. 

Não fez sentido para mim ela amar o cara dois segundos depois de conhecê-lo. Talvez Anastasia Steele e Bella Swan tenham sido inspiradas em Laura Franklin... Não sei. 

Não é uma história completamente sem sentido - todos os acontecimentos estão interligados -, mas falta algo. Depois de estender tanto as três primeiras partes que levam à quarta, Agatha não escreveu muito sobre o romance em si. Apenas o drama da vida dos personagens e só. E nenhum desfecho definido. Acho que por isso fiquei um tanto quanto incomodada. Informação demais que acaba por não levar à nada.


O estranho foi isso ter me incomodado tanto. Eu, geralmente, adoro finais abertos, mas esse indicava que tudo seria perfeitamente finalizado. Uma promessa não cumprida, eu diria. Nem de longe pode ser comparado com a famosa série do Poirot.


B i a n c a  P o n t e s